Quando somos dispensados com carinho e cuidado, a ambivalência nos abraça dizendo: “você é importante, mas não cabe mais aqui”.
Sabe aquela caixa linda que guardamos por anos no armário?
A caixa que embalou um presente, que carregou surpresa, memória, amor?
Um dia, por falta de espaço, ela é descartada.
Tem momentos em que nos sentimos como essa caixa.
Uma caixa linda — de papel firme, cores delicadas — que vai para o lixo.
Não porque perdeu seu valor, mas porque não há mais onde colocá-la.
Ela pode ser recolhida por alguém na rua e virar artesanato.
Ou pode ser esmagada por um caminhão de lixo.
Ou, talvez, antes de chegar a qualquer destino, se desfaça na chuva que resolveu cair.
A caixa linda vira qualquer coisa.
Menos a caixa que foi guardiã de um presente.
Presente — aliás — que ficou no passado.
E o que fazer quando nos sentimos como essa caixa?
Eu não tenho resposta pronta.
Só sei que passa.
Não sei quando.
Só sei que fico com titio Freud:
“Lembrar, repetir e elaborar.”
Passa.
* * *
am·bi·va·lên·ci·a
sf
1 Qualidade ou condição do que é ambivalente ou do que apresenta simultaneamente valores antagônicos.
2 Psicol Coexistência de sentimentos opostos diante do mesmo objeto (p ex, amor e ódio, desejo e repulsa).
3 Sociol Atitude que oscila entre valores diversos e, às vezes, antagônicos.
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